sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Final de dia junto ao mar...
Poucas coisas me encantam mais,
que um final de dia junto ao mar.
Maravilhoso o final de dia de hoje,
depois de uma semana cinzenta e chuvosa,
finalmente um entardecer
digno de muito amor...
Num lugar tão maravilhoso
quanto o nosso Guincho,
o impossível é deixar de sonhar...
( Guincho - Cascais )
Benvinda
Neves
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Protesto...
Protesto...
Hoje o céu
está cinzento, muito escuro, cor de chumbo,
É fim de
tarde e adivinha-se temporal para a noite.
As gaivotas
abandonaram as praias,
Vejo-as em
bandos dispersos,
Que imagino serem grupos familiares.
Pairam lá em
cima, não muito longe,
Tentando
equilibrar-se no vento.
Costumo
querer dançar como as gaivotas,
Mas hoje,
com este soprar tão forte,
Elas
parecem-me marionetas,
Manipuladas por mãos loucas.
Dançam
descoordenadas, quase sem sair do mesmo sítio.
Algumas
vezes parecem cair de repente,
Como se um
fio as largasse e as puxasse de novo,
Quando quase
atingem o solo.
Não gosto de
ver as gaivotas manietadas,
Amarradas à vontade alheia.
Não fora
isso, abandonaria também a praia,
Para me
juntar no seu protesto,
Numa dança
frenética para que volte o sol.
O tempo contagia-me a alma...
Deprimem-me os
dias tristemente escuros,
Em que o mundo parece chorar.
Nunca gostei de lágrimas...
Nunca gostei de lágrimas...
Benvinda Neves
Outubro 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
A idade da verdade…
A idade da verdade…
“Mãe….Mãeeee…quelo
tê uma baliga igual aquela senhola”...
Ouvi
outro dia enquanto saía da água e passava junto a uma família.
Será que ouvi bem? O que levará uma menina de
três ou quatro anos dizer à mãe que quer ter uma barriga igual à daquela
senhora?!
Deito-me
na toalha enquanto ouvia aquela voz de querubim repetir incessantemente a
frase, na sua vozinha cheia de mimo.
Olho, conforme
olham outros olhos ali ao redor - e vejo a mãe abanar o braço da criança
enquanto a mandava calar com um “chiu, filha cala-te” – e eis que reparo que a
barriga cobiçada era a minha…
Deus,
uma das coisas que menos desejo é que reparem na barriga, que podia ser menos
protuberante, mas que também não tem um tamanho que possa ser motivo de cobiça
por uma criança mais ambiciosa.
Aquilo
intrigou-me e intrigou também a mãe da petiza, que não a conseguindo silenciar
acabou por perguntar “ oh filhinha, e porque queres tu uma barriga igual à
daquela senhora?”, “porque ela não tem umbigo e as outras barrigas têm”.
“Claro
que a senhora tem umbigo, está é metido para dentro” – e lá dei eu um jeitinho
de lado para a menina confirmar e acabar por sossegar.
Faz-me
lembrar um dia em que cheirou muito mal no autocarro e que por descrição toda a
gente se manteve calada, mas quando cheirou mal pela segunda vez, uma avó que
levava a neta ao colo, também uma menina com cerca de quatro anos disse em voz
muito alta “ que horror, que cheiro horrível, esta gente é muito porca”, ao que
se ouve em seguida uma vozinha de anjo “fui eu avó, doí-me a barriga” –
gargalhada geral entre a atrapalhação da senhora que não sabia se repreendia a
garota ou se ria também.
Ou ainda
uma história que me foi contada por uma amiga tendo como protagonista a filha
que teria também esta idade. Costumava a criança ir para a cama dos pais,
quando o pai não estava em casa, porque o pai normalmente só vinha aos
fins-de-semana e eis que a pequerrucha um dia sentada no colo da mãe, também no
autocarro a caminho de casa, pergunta em voz alta “mãe, mãe… com quem vais
dormir esta noite?”
São
assim as crianças, em certas idades, simples nos seus desejos
e nas suas
verdades.
Benvinda Neves
Setembro 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Desassossego…
Desassossego…
Vou no alvoroço do vento,
Porque há vezes em que
não contenho o desassossego,
Que se liberta das
amarras a que o condeno.
Crescem lentamente nuvens
de tempestade,
Nas coisas que não
arrumámos no tempo
E soltam-se em chuva
repentina,
Nas noites em que a lua
se esquece de iluminar.
Hoje se vires nascer
fogo na noite,
Saberás que incendiei
o mundo,
Porque não suporto
noites sem luar.
Arde a solidão condenada
pelo medo,
Queima o silêncio como
réu que se atribuiu sentença,
Vaidade e orgulho de a
si próprio não saber perdoar.
Triste a sombra que se
abateu sobre a alegria de se ousar,
Sabe a sal o perfumado mel,
Constrangem-se no
peito as duvidas,
Diluem-se no tempo as
lembranças.
Vou no alvoroço do vento…
Porque há noites em
que não contenho o desassossego,
Que me incendeia a
alma e me obriga a liberta-la.
Benvinda Neves
Setembro 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Nem bem…nem mal disposta…
Nem bem…nem mal disposta…
Há dias assim… como o de
hoje, em que não posso dizer que acordei mal disposta, mas também não acordei
bem-disposta.
Sonhei imenso, uns atrás dos
outros, sonhos em turbilhões, numa mistura enorme entre passado, presente e fantasia
– às vezes acordo baralhada.
Tenho esta péssima “mania” de fazer durante a
noite “coquetel” extravagante em que misturo o que não devia e com uma
realidade tal que me leva a acordar.
Seja essa a razão ou outra
qualquer, apesar de me ter deitado perto da uma da manhã, acordei às cinco,
bem-disposta – até tactear na escuridão para acender a luz, olhar para o relógio
e ficar “meio-telhuda”- não me vou levantar a esta hora.
Gostava mesmo de conseguir
dormir bem…não sei porque acordo, quando sinto que precisava ter dormido mais.
Pareço um zombie nas primeiras horas da manhã, demoro a fazer tudo e preciso de muito tempo, porque detesto que o dia comece com pressa.
Pareço um zombie nas primeiras horas da manhã, demoro a fazer tudo e preciso de muito tempo, porque detesto que o dia comece com pressa.
Que ninguém tenha que esperar
por mim, porque mesmo que não me diga nada, tenho a certeza que está a apressar-me
e isso deixa-me irritada.
Odeio esperar, mas odeio
igualmente que me esperem.
Hoje foi mesmo daqueles dias
em que precisei de muito mais tempo…
Tenho um roupeiro com um
tamanho razoável, onde guardo apenas a roupa da época, mas bem me fartei de
olhar lá para dentro, com as portas escancaradas e nada naquele maldito armário
me agradava.
Talvez “mude” durante a
noite, mas tem manhãs em que tudo me fica horrível:
“-Como raio me está isto hoje tão apertado?
Pareço um salpicão”
“-Olha a treta deste tecido
deve dar de si, não me lembro disto me ficar tão largo, parece um saco.”
“-Não vou pôr esta cor hoje, vou parecer um
cadáver...”
“-Isto não fica nada bem com
os sapatos nem com a mala e esses não vou trocar…”
“Onde é que eu tinha a
cabeça quando comprei isto, nunca vou vestir, nem parece meu…”
Podia enumerar mais uma dúzia
de pensamentos que me ocorrem, mas a realidade é que a única frase verdadeira é:
“Droga, hoje não me apetece vestir nada, porque não me apetecia sair para ir trabalhar.”
Se fosse para ir passear à beira-mar, tenho a certeza que qualquer coisa servia.
“Droga, hoje não me apetece vestir nada, porque não me apetecia sair para ir trabalhar.”
Se fosse para ir passear à beira-mar, tenho a certeza que qualquer coisa servia.
Cerca de uma hora depois
entro na cozinha para o pequeno-almoço, ainda meio-convencida, mas pronta.
Depois foi aquilo que podemos
chamar a cereja no topo do bolo – quando retiro a caneca do leite quente, bato
com ela na porta do micro-ondas e fico com o vestido a pingar…
Conclusão, uma
mulher só precisa de cinco minutos para se arranjar – pois julgo que foi exactamente o
tempo que demorei a escolher outro vestido a vestir-me e a sair de casa.
Benvinda Neves
26 Setembro 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
Há quem se apaixone por nós...
Há quem se apaixone por nós...
Sem sabermos porquê.
Sem sabermos porquê.
Também nos apaixonamos por outros,
Sem que encontremos razão que o justifique.
(pelo contrário, às vezes achamos um absurdo...)
(pelo contrário, às vezes achamos um absurdo...)
A paixão deveria ser a forma mais simples
de gerirmos o mundo,
Mas é sempre
a forma mais complicada que encontramos...
Mas é sempre
a forma mais complicada que encontramos...
(esta gata apaixonou-se por mim - tudo o que quer é festas,
faz-me este olhar irresistível,
enquanto se enrosca nas minhas pernas.
enquanto se enrosca nas minhas pernas.
Deveríamos ser "simples" como todos os bichos)
Benvinda Neves
sábado, 21 de setembro de 2013
Último dia de Verão…
Último dia de Verão…
Estupendo o dia de hoje o último do Verão deste ano.
Uma tarde magnífica, com uma temperatura e um mar que
convidavam a banhos.
Adoro praia, gosto de sentir o corpo solto e livre
entregue à pura preguiça de me estiraçar sobre a areia e aquecer ao sol, até
começar a escorrer.
Quando atinge o ponto de “ebulição” lá vai mais uma “banhoca”
para refrescar.
Não sou nada bonita assim “esparramada” sobre a areia,
com uma perna e um braço para cada lado – tenho este mau hábito de me deitar e
conquistar o espaço em volta.
Mas que prazer nos daria despirmo-nos e deitarmo-nos ao
sol, se não fosse a boa sensação de voltarmos às origens?
Com os anos, sabe-me ainda melhor a praia, porque deixaram
de me preocupar “as covas nas coxas”, o “pneu na cintura “,a “perna coxa”, a “marreca
costurada” ou qualquer olhar que pudesse interpretar como avaliador.
Com a idade
adquiri a capacidade de sorrir e dizer a quem está comigo:
“nada de invejar o
que não lhes pertence”.
Tudo o que quero é gozar o prazer de me sentir feliz em
cada momento.
Gosto de dormitar ao sol, quando este não queima demais.
Foi o que aconteceu esta tarde, vim da água, estendi-me
na toalha, fechei os olhos e como que por magia entrei em sincronia com o
universo.
Entre o marejar das ondas e o riso das crianças, à
beira-mar, enquanto pensava “que a praia é muito melhor assim, com menos gente”,
pairei na leve brisa do final de dia.
É boa a sensação de nos “ausentarmos momentaneamente” indiferentes
ao facto de estarmos rodeados por desconhecidos – deve significar que no nosso
subconsciente o mundo ainda é um lugar que confiamos.
Gosto de mar fresco e calmo, de areia e sol quentes, de
risos de crianças nas suas brincadeiras junto à rebentação, de livros meio
lidos sobre as toalhas, de sorrisos e conversas descontraídas, do dormitar ao
entardecer, de olhares com reflexos, sabor e cheiros de maresia.
Gosto de uma bela tarde à beira mar, dias assim fazem-me
feliz.
Benvinda Neves
21 Setembro 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Vida…
Vida…
Pássaro
decidido, de asas estendidas rasgando o azul do céu,
E
observando-o desencadeia-se em catadupas o pensamento,
Que me leva
livre na mistura das brisas do mar e da serra,
Que inundam
de cheiros e cores esta manhã límpida de final de Verão.
Saboreio o
profundo respirar
E olhando o
infinito oceano, descrevo a vida,
Como dito de
quem vai ao mar,
“Isco menor,
peixe pequeno.”
Assim a vida tem o tamanho do nosso mundo,
Pequena para
quem conhece e deseja pouco,
Grande para
quem arrisca e deseja conhecer sempre mais.
Há quem se
sinta feliz entre a cerca que criou
E que guarda
ciosamente receando invasores.
Para outros
o mundo é um desafio continuo,
Não há
fronteiras que limitem a vontade,
Nem
barreiras que impeçam a procura,
Porque o
mundo é um lugar sempre por descobrir.
Do tamanho
do mundo de cada um
É também o
tamanho dos seus sonhos…
Ninguém ousa
sonhar com o que não imagina existir.
São sempre
enormes os meus sonhos…
Benvinda Neves
Setembro 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
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