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sábado, 8 de dezembro de 2012

Que te diz sobre mim a minha escrita?



Que te diz sobre mim a minha escrita?

Confissões da alma com revolta e paixão
Dúvidas e mais dúvidas, verdades e mentiras.

Rendilhado de palavras ora no presente ora no passado,
Pulando o tempo como se este não existisse,
Porque há sentires que não têm anos,
Nascem e não sabemos quando morrem.

Que dirão as palavras de alguém insatisfeito
Que não sabe se participa ou é espectadora.

Em dias como o de hoje sou observadora,
Estou de fora a analisar o íntimo.
Vazio…

É um vazio imenso que não sei explicar
Como se a vida me tivesse cansado tanto
Que a deixei esvaziar a alma.

E estou tão cansada …
Tão grande tem sido o esforço dispensado,
Que hoje só quero deixar-me estar.

Noutros, revolta-me a apatia,
Não quero sentir-me morta em vida
E empurro-me entre gargalhadas,
Que por vezes me parecem espasmos,
E obrigo-me a participar.

Contraceno com o mundo,
Que constantemente me troca as deixas e me faz improvisar.

Sou quase perfeita nesta arte,
Tantas vezes improvisei para não ficar perdida no palco,
Que as peças se sucedem entre aplausos,
Sem que alguém dê pelos lapsos.

Fico baralhada entre ensaios, encenações 
E momentos em que sou público.

Leva-me ao rubro a vontade de agradar
De tal forma é importante, saber que fiz bem,
Que repito e me esgoto até o conseguir.

Ninguém quer representar para si mesmo,
Desilude-me o mundo quando a mensagem não passa
E os vejo de olhar fixo, como quem não entende.

Apetece-me gritar…
Gritar…
De revolta…
Dei tudo, tudo o que havia em mim
E o mundo assistiu impávido, sem reagir,
Porque tristemente não conseguiu entender.

Outras são as vezes em que o esforço compensa.
Aplaudem-me de pé entre palmas e gargalhadas.
Dizem-me o quanto lhes agradou
E que esperam que na próxima me supere.

Esforço-me para que assim seja…
Porque não quero desiludir.
Esgoto-me e tanto me canso,
Que chego a perder a memória

E esqueço…
Nunca aconteceu, nunca existiu.

E em dias como o de hoje,
Só resta o vazio…
Hoje só quero deixar-me estar.


Benvinda Neves
20 de Março 2012