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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Esperança…



Esperança…


Sou um barco pequeno construído em madeira,
Pintado às barras em tons fortemente coloridos.

Antes da minha primeira viagem,
Em terra fui batizado com o nome de “Esperança”.
Sobre troncos rolei empurrado areal abaixo
E foi assim que sem vontade própria, me fiz ao mar.

É o mar que me dá vida,
Sem ele eu não faria sentido.
Mas é o mar também que me açoita e quase destrói,
Em inúmeras investidas.
Este mar caprichoso no qual e pelo qual vivo, 
Mas não posso confiar.
Em dias amenos embala-me,
Balança-me e murmura-me
Deixando-me suavemente
Envolvido em seus braços,
Até adormecer.

Em dias de fúria, entre uivos animalescos,
Abana-me, empurra-me, 
Repudia-me e maltrata,
Dizendo que não lhe pertenço.

Quando me questiono,
Sinto-me perdido nesta imensidão,
Pois sou um barco pequeno,
Cuja morada é o mar infinito,
Um lar enorme...
Onde me posso perder ou mesmo morrer.

Nos dias em que decido apenas viver,
Sou um barco pequeno, colorido e livre,
Que pode percorrer qualquer maré sem se cansar,
Pois navegar é meu destino 
E a minha casa é o mar sem limites.

É o  nome que me dá força,
Pois como poderia sobreviver,
Se meu nome não fosse “Esperança”?


 Benvinda Neves 
 Novembro 2012