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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Coração Cigano...





Coração cigano…

Louco e estonteado coração que não cabes cá dentro
E te soltas de mim
Correndo pelo mundo, desenfreado e sem destino.

Como um artista saltimbanco, 
Sem eira nem beira,
Percorres caminhos
E de terra em terra,
Estendes o pano como um palco
E atrás dele improvisas mesmo sem público.

Enche-te de amor e esperança a hora do espectáculo, 
Que será sempre uma surpresa.

Então quando rodeado de palmas, 
Gargalhadas e assobios, 
Sentes-te ainda mais feliz
E o mundo resume-se a cada actuação no presente.

Pouco importa se haverá uma próxima.

É a alegria que reina,
A ilusão faz todos esquecerem a vida,
Num anestésico prazer
E o riso é a histeria colectiva
Com que se mascaram as incertezas
E se esquecem passados.

Embebeda-te a paixão,
Que te faz renascer,
Com uma força surpreendentemente nova,
Que transforma em único
E sempre desejável cada dia.

Porque cada dia trás novos sonhos,
Mas sobretudo a certeza de nunca ser repetido.

Admiraste como ninguém
Todas as terras que percorreste,
E cada uma à chegada,
Só pela beleza.

Pensaste que poderias ficar,
Mas a certeza do mundo ser infinito
E de tanto o querer percorrer,
Fez-te nómada,
Como cigano solitário,
A quem basta partir para se encher de esperança.

O mundo é um lugar maravilhoso
E igualmente estranho,
Onde a única certeza é nascer, viver e morrer.

Viver é querer incansavelmente conhece-lo,
Amá-lo e Percorre-lo até morrer...

Sempre em busca da felicidade.

27 Dezembro 2012
Benvinda Neves