sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Dias felizes…
(as duas primeiras imagens são da autoria da amiga Nela Gomes)
Dias felizes…
Há dias que sentimos são especiais, sem que tenhamos
grande explicação para que assim seja.
São contrários,
aos que dizemos: “hoje não devia ter saído de casa”.
Por norma temos tendência
a valorizar esses, em que tudo parece correr mal e esquecemos que há os outros,
aqueles que são precisamente a antítese em que dizemos: “Hoje foi um dia
maravilhoso”.
Pois hoje, foi um desses dias especiais em que tudo
pareceu correr perfeito. Costumo dizer por brincadeira que os “astros estavam
por mim”.
Posso resumir apenas numa frase curta, o sentimento
predominante no dia de hoje:
“prazer imenso de viver”.
Sinto-me transbordar de vida, como todas as vezes que
escrevo que há algo tão grande cá dentro, que não cabe cá.
Nos dias em que me
sinto assim, apetece-me pôr um grande sorriso, sair por aí, com cara de tonta,
a sentir o mundo pulsar em todas as coisas e todos os lugares.
Nestes dias, todos os momentos são para registar e
guardar da melhor forma que for capaz. Gravo cá dentro, fotografo e escrevo,
porque nos “outros dias”, são estes registos que me dão força e ânimo.
Foi um dia marcado por conversas, sorrisos e simpatia. Penso
que todo o planeta aderiu, pois curiosamente pareceu-me que todas as pessoas estavam
especialmente simpáticas e me dispensaram palavras com sorrisos. Posso jurar
que até os estranhos estavam com ar amistoso – e não com a normal indiferença.
A natureza estava divina, com aquelas cores quentes que
me deixam a alma sonhadora e incendiada de desejos. Para remate, aquela brisa
suave que afaga o corpo e renova o espirito. Até a areia parecia ter sido criada à
medida da pele – macia e moldável.
Há dias assim, que não sabemos explicar porquê, mas nos
sentimos mais vivos e em completa harmonia com o universo.
Dias como este, o universo presenteia-nos a dobrar – nascem-nos também sentimentos de enorme gratidão.
Benvinda Neves
11 Setembro 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Diz-me o vento…
Diz-me o vento…
Está ameno, este final de dia,
Uma temperatura agradável,
Com um
vento ligeiramente vigoroso.
Estou sentada fora
E sem grande esforço,
Fecho os olhos e deixo-me ir…
Fecho os olhos e deixo-me ir…
Esta brisa meio-forte é como as mãos
do tempo,
Que me percorrem o corpo cansado,
Que
tão bem conhecem
E o sossegam devolvendo-lhe serenidade.
São dedos companheiros os que me
alisam os cabelos
E me transformam o rosto num sorriso
de prazer.
Este leve-frio, é como beijo em corpo
nu,
Arrepia e Injecta paixão.
Diz-me o vento,
Que a vida pode ser lida em todas as
linguagens,
Depende apenas do nosso desejo e
vontade.
Sabe bem este despertar…
Que o arrepiar do vento me contagie sempre de prazer.
Benvinda Neves
Setembro 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Porque voltam os Pássaros que soltamos?…
(imagem que tirei no paredão de Cascais,
num dia em que céu e mar estavam pejados de gaivotas
- vê-se a outra margem)
Porque voltam
os Pássaros que soltamos?…
Há alturas em que dizemos que não
temos palavras,
Porque temos consciência que todas as
palavras
Serão pobres para descrever o que
sentimos.
Tenho árvores a crescer cá dentro,
Carregadas de folhas verdes,
Que se ramificam por todo o meu corpo
E formam bosques frondosos de
calmaria.
Possuo riachos que escorregam de
prazer,
E enchem o meu interior de sons,
frescura e cor.
Mas detenho também pássaros tristes,
Que se cansam de águas calmas e
bosques verdes
E procuram enseadas junto ao mar.
Voam e chilreiam como jovens
insatisfeitos,
À procura de se libertarem.
Por quanto tempo vivem pássaros que
prendemos?
Tenho pássaros tristes que não querem
estar presos.
Mas porque voltam cada vez que os
quero soltar?
Benvinda Neves
Setembro 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O que é um elevador?
O que é
um elevador?
Um elevador é um compartimento minúsculo, metálico,
com cerca de um metro quadrado, que possui personalidade própria, acutilante
espirito crítico e que tem também o "grande poder" de me tirar do
estado de transe logo pela manhã.
Felizmente (em alguns dias) que este espaço
pequenino, onde entro maquinalmente, possui um espelho que fala e se ri, nas
manhãs em que o despertador e o banho não foram suficientemente fortes para me
trazer de volta à "selva quotidiana".
Como um autómato, acendo a luz da escada, carrego e
botão do elevador e enquanto ele chega, rodo a chave nas suas quatro voltas -
isto é o "ram-ram" final, da rotina diária da primeira hora que
inicia os meus dias.
Mas há dias "especiais" como o de
hoje que só acordo "mesmo", quando aquele espelho grande, mas nem
sempre suficiente, me olha e se ri na minha cara, enquanto me diz entre
gargalhadas:
" Que é
isso?! Hoje vais assim para o trabalho?!"
Lá está a mola colorida no topo da cabeça, que
deveria ter ficado na gaveta das escovas, pois o seu reinado acaba quando dou
por terminado o penteado. Claro que não acabei de me pentear...
Como não acabei no outro dia de me maquilhar...e um
olho parecia maior que outro.
Ou como aquele dia em que este
"bendito-espelho" me disse:
"Hoje estás mais baixinha"…
"Opssss…
não de troquei os chinelos de casa pelos sapatos... Volta a subir.
Esqueceram-se de fazer este “magnifico” do tamanho
da parede e já aconteceu que num dos dias em que não fez comentários passei pela
triste figura de me sentir incomodada por olhares alheios.
- Braguilha - confirmada, está fechada...
- Peito - confirmado, todos os botões da camisa
estão fechados...
- Pés - está tudo certo, troquei para os sapatos...
Mas porque "raio" na paragem tudo me olha
pelo cantinho do olho?!
Belo, mesmo na hora em que chega o autocarro reparo
que vou subir a segurar religiosamente, o saco-do-lixo meio transparente. A
procura do contentor valeu a espera de mais 15 ou 20 minutos até passar o
próximo - uma forma de despertar contra-natura, que me deixa neura.
A culpa?
Minha ou dos meus mais de cinquenta anos, que não
concluem nenhuma tarefa sem a interromper uma dúzia de vezes?
Claro que não.
A culpa é da criatura que colocou aquele espelho no
elevador e o fez grande, mas não o suficiente, pois dá pela minha cintura, quando
me devia abarcar até aos pés.
Será que não percebem que o elevador é aquele ser
que nos “espiolha” com seu espirito-critico e nos diz como estamos antes que o
mundo nos veja?
Benvinda Neves
Setembro 2013
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