Das janelas da vida,
vejo o sol ou a chuva, adivinho o vento ou a brisa,
e vejo o dia nascer e morrer.
Canto...
como todos os pássaros,
que como eu, nasceram e vivem aprisionados,
num mundo que nos escraviza e enclausura.
Diz a consciência social,
que tenho tudo o que preciso,
emprego, casa, comida , roupa
e algum conforto e prazer.
Diz-me a alma
que construímos uma estranha sociedade,
onde no topo da pirâmide está o trabalho
e na base, subterrada sobre o seu peso,
tudo o que deveria estar em cima.
Pais que trabalham sete e oito horas
e vêm menos os filhos,
que os estranhos a quem os entregam,
enquanto estão a trabalhar.
Construímos famílias, decoramos os nossos lares,
mas passamos a maior parte do nosso tempo
fechados em salas,
com pessoas com quem não temos afinidade.
Os dias sucedem-se no frenesim dos horários,
e de repente os dias foram anos,
e a engrenagem não se compadece do corpo doente ou
envelhecido
e lembra ainda menos que ali existe sentir.
Estranho mundo
que criámos...
Somos pássaros
aprisionados...
cantando o nascer e o fim do dia,
sem consciência que o fazemos
sempre atrás das janelas.
Benvinda Neves
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