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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Tempestade...






Tempestade…


Abriu-se em desespero o céu de Inverno.
Caiu uma chuva abrupta 
e contínua que tudo alagou.

Entrou por todas as frestas
da alma desprevenida,
Invadiu e inundou todo o ser.

Quis o peito sufocado
dizer tudo o que sentia,
Mas não encontrou palavras
ou gestos que o descrevessem
E foi na torrente invasora
que abafou toda a sua dor.

A trovoada que rasgou o horizonte
tão negro,
Despertou sentimentos contraditórios,
como os daquele céu dividido.

O medo do som ensurdecedor,
que ecoa e arrepia,
Contrasta com a beleza da espada de fogo, 
Que abre rasgos que ligam céu e terra.

Debate-se a alma,
também dividida.
Como se os trovões fossem gritos de dor
E os raios a beleza
de tudo o que quer registar para sempre.

Beijos que se guardam,
como tempestades de desejo.
Com o poder de incendiar
e iluminar a escuridão,
Criam a ilusão de que o momento
é imortal e divino.

Ninguém esquece
uma tempestade que foi forte.
Acorda o instinto de sobrevivência
E faz-nos sentir a importância de estar vivo.

Sentimentos são forças da natureza,
Quase sempre serenos,
Mas que explodem por vezes com violência.

Só o Tempo tem o poder
De reajustar todos os elementos.


Benvinda Neves
25 Janeiro 2013