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sábado, 5 de novembro de 2016

O melhor dos presentes, é o Tempo...




O melhor dos presentes, 
é o Tempo que oferecemos aos outros...


Nunca gostei de "andar às compras" 
e com o passar dos anos, parece-me que gosto cada vez menos.
Mas há males que são necessários
e quando a lista está grande, lá tenho mesmo que ir.
Uso estratégias para ser rápida - como chegar cedo,
quase na abertura do hiper, que é quando tem menos gente.
Mas hoje quando entrei, até fiquei atordoada com a "multidão"...
Parecia a semana antes do Natal - as pessoas como formigas guerreiras,
amontoavam-se aos encontrões na zona dos brinquedos,
que estavam a 50% (a colocar no cartão).
O que equivale a terem que voltar às compras para terem direito à promoção.
Juro que eram muitos os carrinhos carregados de brinquedos até à altura do queixo.
Uma autentica loucura colectiva...
Pergunto a mim mesma da necessidade do gasto
e do até que ponto aquele muito dinheiro não seria prioritário noutros bens...

Vivi pouco tempo com os meus pais, apenas quase sete anos,
pois quando a minha mãe faleceu fomos para lares de acolhimento.
Mas das boas memórias que guardo até hoje,
são as muitas horas que o meu pai passava a brincar comigo.
Não havia dinheiro, mas tive rebanhos e pastores feitos com talos de couve,
com pernas e patas de fósforos, com ovelhas que falavam e cães e pastores 
que respondiam a todas as minhas perguntas, 
porque o meu pai fazia parte das brincadeiras.
Dancei muitas vezes sobre os pés do meu pai,
agarrada às suas calças, enquanto ele cantava  e a mãe ria à gargalhada.
Corríamos no campo enquanto lançávamos ao vento,
papagaios de canas e plástico, que tínhamos levado horas a construir.
Assistia aos domingos aos jogos de futebol sentada nas suas cavalitas,
para conseguir ver o campo.
Embora a vida nos tenha mudado todo o rumo e nos tenha separado os caminhos,
no coração ficou guardado para sempre o amor e a ternura.

Tenho um cãozinho de loiça branco e rosa (super piroso) que guardo 
à cerca de trinta anos (apesar de não gostar de bibelôs),
que me foi oferecido por um garoto, filho de um colega,
 que sentado no meu colo disse:
"é para ti, porque gosto de ti porque brincas comigo. 
O meu pai da-me tudo, mas não brinca comigo. Eu queria que ele fosse como tu."
O pai não entendeu - só me dizia:
"tem tudo, não há nada que peça que eu não dê"...

Se os presentes são importantes? São sim, 
todos gostamos de receber presentes, mas
o melhor dos presentes, 
é o Tempo que oferecemos aos outros...

Não adianta encher o quarto dos garotos de tralha,
se não guardar Tempo para oferecer ao seu filho.

Não adianta oferecer jóias ou prendas caras
se não guardar tempo para as pessoas que ama.

Oferecer do nosso Tempo - é o melhor dos presentes.

Amor semeia-se...
mas só floresce com tempo e dedicação.

Benvinda Neves