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domingo, 8 de junho de 2014

A balança é um objecto de tortura…




A balança é um objecto de tortura…

Vira para a direita, vira para a esquerda, mira à frente, mira atrás…
Assim estava perdida nos meus pensamentos, a experimentar um vestido, quando ouvi, gritado do provador ao lado:

“Ai que raiva me dão estes espelhos, como os detesto…se pudesse partia-os todos…aiiiiiiiiiiii….”

Não faço ideia do aspecto da dona de tal “protesto”, imagino que estaria a experimentar alguma peça pela qual se tinha apaixonado sem que coubesse nela – como a compreendo e me sinto solidária.

A balança ultimamente é um objecto de tortura – uso e abuso dela, como uma viciada em masoquismo. Todos os dias prometo a mim mesma que amanhã a vou ignorar. Mas … lá estou todas as manhãs em cima dela, como se precisasse de me irritar assim que acordo.
É horrível – ela está ali no canto do quarto há vários anos e pouco lhe ligava, mas ultimamente subir para cima dela passou a fazer parte do meu quotidiano.

Aos 35 anos resolvi de um dia para o outro que ia deixar de fumar e deixei - assim como deixei de ser magra. Substitui o prazer de fumar pelo da “boa mesa”. Foi assim que ganhei esta “robustez saudável”.

Nunca me preocupei demasiado com os quilitos a mais, mas tentei sempre não ter variações de peso. Ultimamente esta é uma tarefa que se está a tornar difícil – razão pela qual a balança se tornou uma obsessão.

Não tive aqueles calores insuportáveis e mal-estar de que se queixam a maioria das mulheres quando chega a menopausa. Tão pouco aquela “pancada de perda que bate” em algumas porque deixaram de ser férteis. Já ouvi uma amiga dizer-me que se sente menos mulher por isso – incompreensível (!!!!!!!!!).

Para mim, pelo contrário, é uma maravilha não ter que “mudar fraldas” todos os meses, não me preocupar se vai acontecer em datas que considero importantes – não me estraga dias de férias ou momentos de festejar.

Ter período-menstrual é um “mal necessário” – porque de resto é uma “seca”, que só trás desconforto, mal-estar físico e emocional.

Mas não há bela sem “senão...” e esta luta com o peso vem precisamente desse novo estado de graça – nada que os médicos não tenham avisado.
Até há pouco tempo atrás bastava deixar de comer guloseimas durante uma ou duas semanas e era suficiente para baixar 2 quilos, agora nem umas miseras gramas.
É mesmo uma dificuldade Grande…

Nunca me tinha lembrado de protestar contra o espelho, tão pouco ameaça-lo, mas apesar da vontade de rir que tive ao ouvir aquele grito de revolta, a verdade é que me sinto solidária:
“Malditos espelhos….”

 Benvinda Neves
Junho 2014