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terça-feira, 15 de abril de 2014

Antagonismo...





Antagonismo …

Encher a mala com meia dúzia de tralhas e “partir”,
ainda que só por um fim de semana, é sempre motivo de prazer.

Nunca me importo muito com a decisão de “para onde ir”, muitas das vezes até deixo que sejam os outros a escolher.
Gosto da sensação que antecede o “ir” 
e tenho sempre a certeza de que vou gostar.
Se pudesse, viajaria muito mais vezes.

Quando miúda, naquela fase em que toda a gente nos pergunta “que queres ser quando fores grande?”, receei algumas vezes dizer “cigana”, porque o desejei tanto, por pensar que se o fosse podia andar de terra em terra.
Fascinou-me imenso a primeira vez que vi na rua actuarem “saltimbancos”,
fiz imensas perguntas sobre as suas vidas nómadas.

O mundo tem sempre tanto de novo para ver, que não corro o risco de me entediar em lugar algum. Há todos os dias imenso para observar e descobrir.
Gosto de férias a palmilhar ruas, ver e apreciar com tempo e estabelecer comparações com tudo o que já conheço.

Acho fascinante observar como Homem e natureza se parecem. É o tempo que molda o carácter dos povos, embora a gente quase nunca pense nisso.
São selectos e discretos os que nascem no frio do Norte e barulhentos e extrovertidos os do Sul, bem mais quente. É que não é só a fisionomia que é moldada pelo clima, mas também a personalidade.

Gosto também muito da beleza de cada lugar – nuns quase nos sentimos em casa, noutros  fazem-nos sentir que somos visitas.
Prefiro não ficar muito tempo no mesmo sitio – ir andando conhecendo e aprendendo.

Mas tenho também o lado oposto a esta paixão – adoro estar em casa.

Parece muito antagónico – mas é assim que sou. 
Por muito que goste de viajar e por muito bem que me sinta em cada lugar, ao fim de duas semanas começo a sentir uma saudade imensa e uma vontade louca de voltar.

Quase toda a gente estranha este meu lado – mas apesar de modesta, a minha casa é o lugar onde me sinto melhor.

Sou feita destes dois extremos “casa / solidão”, viagens / mundo”.

Casa / Solidão – é o conforto de me conhecer, aceitar quem sou e necessitar tantas vezes de estar só.

O Mundo e as viagens – tudo o que não encontro dentro de mim e que procurarei enquanto viver.

Estou de partida para mais uma procura…


Benvinda Neves

Abril 2014