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terça-feira, 3 de setembro de 2013

O que é um elevador?



O que é um elevador?

Um elevador é um compartimento minúsculo, metálico, com cerca de um metro quadrado, que possui personalidade própria, acutilante espirito crítico e que tem também o "grande poder" de me tirar do estado de transe logo pela manhã.

Felizmente (em alguns dias) que este espaço pequenino, onde entro maquinalmente, possui um espelho que fala e se ri, nas manhãs em que o despertador e o banho não foram suficientemente fortes para me trazer de volta à "selva quotidiana".

Como um autómato, acendo a luz da escada, carrego e botão do elevador e enquanto ele chega, rodo a chave nas suas quatro voltas - isto é o "ram-ram" final, da rotina diária da primeira hora que inicia os meus dias.

Mas há dias  "especiais" como o de hoje que só acordo "mesmo", quando aquele espelho grande, mas nem sempre suficiente, me olha e se ri na minha cara, enquanto me diz entre gargalhadas:
 " Que é isso?! Hoje vais assim para o trabalho?!"

Lá está a mola colorida no topo da cabeça, que deveria ter ficado na gaveta das escovas, pois o seu reinado acaba quando dou por terminado o penteado. Claro que não acabei de me pentear...
Como não acabei no outro dia de me maquilhar...e um olho parecia maior que outro.
Ou como aquele dia em que este "bendito-espelho" me disse:
"Hoje estás mais baixinha"…
 "Opssss… não de troquei os chinelos de casa pelos sapatos... Volta a subir.

Esqueceram-se de fazer este “magnifico” do tamanho da parede e já aconteceu que num dos dias em que não fez comentários passei pela triste figura de me sentir incomodada por olhares alheios.
- Braguilha - confirmada, está fechada...
- Peito - confirmado, todos os botões da camisa estão fechados...
- Pés - está tudo certo, troquei para os sapatos...
Mas porque "raio" na paragem tudo me olha pelo cantinho do olho?!
Belo, mesmo na hora em que chega o autocarro reparo que vou subir a segurar religiosamente, o saco-do-lixo meio transparente. A procura do contentor valeu a espera de mais 15 ou 20 minutos até passar o próximo - uma forma de despertar contra-natura, que me deixa neura.

A culpa? 
Minha ou dos meus mais de cinquenta anos, que não concluem nenhuma tarefa sem a interromper uma dúzia de vezes?
Claro que não. 
A culpa é da criatura que colocou aquele espelho no elevador e o fez grande, mas não o suficiente, pois dá pela minha cintura, quando me devia abarcar até aos pés.

Será que não percebem que o elevador é aquele ser que nos “espiolha” com seu espirito-critico e nos diz como estamos antes que o mundo nos veja?


Benvinda Neves

Setembro 2013