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terça-feira, 27 de agosto de 2013

A preparar o “adeus” a uma grande amiga…



A preparar o “adeus” de uma grande amiga…

Desgastamo-nos constantemente com assuntos pequenos, mesquinhices que fazem parte do nosso dia-a-dia, a que damos desnecessária importância.Arreliamo-nos vezes sem conta por coisas pequeninas, que não significam mesmo nada.

Na hora em que o nosso fim está próximo, os nossos olhos são doces e cheios de compaixão. Transmitem por nós a força com que queremos agarrar-nos à vida.
A nossa boca tem poucas palavras, mas escolhemos aquelas que queremos eternizar na mente dos que amamos.

As nossas mãos estendem-se para uma mão amiga, que lhe dê algum do conforto que não obtemos da medicina e nos faça sentir que não estamos sós nas horas mais terríveis da nossa vida.

Seguro uma mão esquelética, que se agarra à minha, com a força que já não tem o restante corpo que se contrai constantemente entre espasmos de dor.
Afago os seus dedos e pouso beijos suaves na sua testa, enquanto a sua boca tenta sorrir e os seus olhos se enchem de lágrimas e me olham com súplica e ternura.
É a minha grande amiga Teresinha que se despede dos últimos dias que a vida lhe reserva e não tem sido nada fácil o tempo presente.

Guardarei sempre o sorriso que interrompeu as dores e as lágrimas, para me dizer: “agradeço a Deus que não me levou sem me despedir de ti. Tive tanto medo de morrer enquanto estavas de férias. Estou feliz porque pude voltar a ver-te e porque podemos despedir-nos”.
Há palavras que nos cortam o coração, pela verdade que encerram, pelo amor com que nascem e pelo adeus definitivo que representam.
Têm sido dias de muita dor e incerteza constante.

Bem sei que a morte é uma certeza nas nossas vidas e que a doença deveria ser uma forma de nos sentirmos preparados para ela.
Mas nunca estaremos preparados para esse momento, nem para todo o sofrimento que acompanha um doente de cancro em fase terminal. 
Ninguém deveria ter que sofrer tanto para morrer.
 Tenho o coração constrangido perante tanta dor e agonia.

Infelizmente já presenciei estes momentos antes e é um sentimento de enorme impotência, uma angústia apertada e uma grande revolta que toma conta de nós, pois sabemos que a única coisa que podemos dar a um amigo que se despede, é a certeza de que o amaremos até ao fim e que não o deixaremos só no seu último percurso.

Todos os dias guardo uns momentos para estar de mãos dadas com a minha querida, com beijos de ternura e palavras de conforto, pois quero que parta com a certeza que a amarei enquanto tiver memória.

Um dia, que adivinho breve, as nossas mãos vão separar-se.
 Ficará para sempre a nossa grande amizade.

Benvinda Neves
Agosto 2013