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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Queria que a noite fosse só minha…





Queria que a noite fosse só minha…

Estou sentada sob o escuro da noite,
Pois hoje o meu desejo era ouvir a natureza
E as respostas da minha alma.

Mas do dia que a luz levou ainda restam barulhos
Que não pertencem à noite.
Um ou outro carro apressado, decerto em direcção ao lar
E vozes e risos vindos das varandas e pátios vizinhos.

Não somos muito diferentes dos pássaros na hora de recolher.
Eles estonteiam em voos acrobáticos entre protestos e chilreios,
Como crianças que contestam a hora de deitar.
Oiço pratos, talheres, churrascos e conversas, 
Concluo que são também de correria desenfreada
As horas que antecedem o descanso das famílias.

Só quando o tempo passa e a noite avança,
Obtenho finalmente o desejado silêncio.

O mundo deveria ter institucionalizado
A hora do homem Igual à hora dos pássaros.

Gosto de ver chegar as noites de Verão,
Todos deveríamos saber recebe-las calmamente sentados,
Assistindo ao dia majestosamente a fazer a sua troca de vestes.

A noite chega elegantemente vestida de negro,
Salpicada de estrelas como lantejoulas
Meticulosamente colocadas a adornarem-na de mais beleza.

Da serra sopra esta aragem gostosa, que ameniza a pele quente,
De uma tarde melada-mente entregue ao sol.

Estou egoísta hoje e completamente rendida à noite,
Queria que todos os homens se calassem
E a noite fosse só minha,
Pois sinto que por mim se vestiu e por mim veio.

Queria ser envolvida pelo silêncio da noite,
Sentir o conforto de relaxar em seus braços
E com ele serenamente me deitar…

(O mundo deveria ter institucionalizado
A hora do homem Igual à hora dos pássaros).


Benvinda Neves
Julho 2013