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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Calor de Trovoada…



Calor  de Trovoada…

Sinto-me como o tempo,
Quente e abafado neste calor de trovoada,
Num chove e não molha  de chuvinha molha-tolos,
Que cansa o corpo com pouco esforço,
E espapaça a alma em suor.

É um veste-despe de corpo insatisfeito,
Que quente deseja estar fresco
E fresco anseia estar quente.

Por todos os poros a pele escorre,
E com ela se lavam pensamentos incautos,
Contrariando toda a restante inercia.

Tudo fervilha cá dentro, prestes a transbordar
E é no tempo que se revela,
Em meadas de neblina que envolvem a terra
De Indefinidos sentimentos,
Num emaranhado  impossível de dobar.

Lamenta-se a dor mais pelo habito que pelo sentir,
E arrastam-se saudades nos labirínticos caminhos do desejo,
Alojadas no tempo,
Como teias construídas entre dois ramos,
Soltas apenas quando as árvores crescerem.

Mas o tempo…
Será sempre medido pelo presente
E hoje é um veste-despe de calor abafado,
Que me sufoca.


Benvinda Neves
11 Junho 2013