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terça-feira, 9 de abril de 2013

Regresso à Infância...




Regresso à Infância...


Vem, vamos regressar à infância...
Queres vir brincar comigo?

Brinquemos, sem que eu te pergunte porque gostas de mim,
Sem que me perguntes porque gosto de ti,
E sem que nos perguntemos o quanto gostamos.
Gostamos, simplesmente porque gostamos.

Vem, vamos construir um castelo de areia,
Sabendo que o mar o levará,
Mas mesmo assim construímo-lo grande e trabalhado,
Com  esperança que dure enquanto estivermos na praia.

Vem, vamos roubar amoras quentes e maduras,
Lambuzar a cara e as mãos de vermelho escuro,
Limpar com as mãos sujas o rosto um do outro
E desejar que nenhum adulto o adivinhe.

Vem, vamos rebolar descontroladamente pelas dunas,
Aterrar entre gargalhadas de prazer,
Subir e descer até cansar
E acalmar deitados no chão enquanto o céu gira.

Vem, sentar na clareira entre os pinheiros,
Olhar o céu da noite mais linda,
Contar as estrelas até onde sabemos contar,
Adivinhar constelações que baptizamos,
Na esperança de ver uma estrela cadente
Para lhe pedirmos um desejo.

Vem, com o rosto tão afogueado quanto o meu,
Ouvir o "ralhete", ser castigado,
Porque quebramos horários ou fizemos asneira,
Enquanto nos olhamos nos olhos,
Sentindo a injustiça do mundo.

Vem, secar as minhas lágrimas como um herói,
Mantendo essa postura de forte,
Enquanto eu finjo que não vi
Que os teus olhos as verteram também.

Não preciso, nem precisas dizer,
O quanto gosto de ti, o quanto gostas de mim,
Nem porque gostamos.

Amanhã tenho a certeza que um de nós 
Perguntará de novo:
Queres vir brincar comigo?


Benvinda Neves
Abril 2013


(Para todos os companheiros e "cúmplices" de brincadeiras de infância 
- os meus amigos da Aldeia SOS)