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sábado, 27 de abril de 2013

Memórias de uma criança perdida…



Memórias de uma criança perdida…



Apagaram-me a luz,
A repentina escuridão engole-me, 
Os sons agigantam-se e propagam-se,
Intercalando com momentos
De opressores silêncios que me mantêm alerta.

A noite é negra e imensa, o tempo não passa
E eu sou criança só, encolhida e cheia de medo.

Tento adivinhar as formas, que se projectam das ténues sombras.
Aquela árvore que ao luar se encosta na janela,
É um ser fantasmagórico com braços enormes 
Que se esticam até ao meu leito
E me tentam puxar para o desconhecido.
Talvez tenha sido esse ser
Que me desmembrou a família e destruiu o lar.

O vento parece aproximar-se a rugir,
Vem como um exército de pés ameaçadores
Que me rodeiam e tentam pisar.
Tapo a cabeça para não ver nem ouvir,
Não me mexo, respiro muito devagar,
Para que pensem que não estou ou morri.

Sou criança e conclui, 
Depois de procurar em todos os lugares,
Que a morte é sentir uma eterna ausência.

A noite é sempre grande, com muitas horas de vigia.
Tenho medo da noite,
Sou criança insegura,
A vida roubou-me o colo
E agora não sei se este é o meu lugar,
Pois já não sei onde pertenço.

Gostava de poder pedir,

Por favor não me apaguem a luz…



Benvinda Neves
Abril 2013


(Gostaria muito de poder chegar ao coração de todos os que defendem “abrigos temporários” como forma ideal de melhorar a vida de uma criança.
Um abrigo temporário para mim deveria ser sempre uma solução de último recurso. 
O mais importante para uma criança é a Segurança – saber que “aquele é e será o seu lugar”, logo a seguir vem o amor.
Tão fácil fazer uma criança feliz – lar e amor)