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terça-feira, 16 de abril de 2013

A minha Janela...


A minha Janela...

Tenho uma janela que me pertence
E à qual pertenço em certos dias.

Sou rainha neste castelo de vidro,
De onde avisto e sinto o mundo,
Sem que o mundo me veja ou saiba que existo.

Do meu castelo aprecio todo o meu reino,
Vejo-o florir em cada Primavera,
Enchendo de perfume
E cor a linha de visão mais perto do meu coração.

Vejo a terra castanha em cada Outono,
O chão coberto de caruma seca,
Ou sinto o cheiro adocicado da rezina,
Que diz ter sido quente mais um Verão.

Sinto ainda o cheiro bom 
Que se solta da terra,
Quando caiem as primeiras chuvas
E vejo o entristecer da natureza,
Quando o Inverno não tem fim.

Avisto o cume cinzento da serra,
Limpo ou coberto de nuvens,
Que anunciam vento.

Oiço o correr rápido da ribeira,
Quando a chuva foi abundante,
Ou esqueço que ela existe,
Quando se cala, pois não consigo avistá-la.

Sou brindada com céus de mil cores
Que me trazem sonhos,
Esperança ou sorrisos.

Adivinho telas nas formas das nuvens,
Que se desfazem em vénias, 
Como que, para me agradar.

Tenho um sol,
Que se despede soberbo em cada dia,
Baixando sorridente sobre o horizonte,
Prometendo
Espectáculo maior para o dia seguinte.

Tenho o bailado das andorinhas 
Com a sinfonia das cigarras e dos pássaros.

Desta janela…

Vi nascer labaredas que lamberam todo o vale
E assisti à invasão, 
Que fez diminuir
A mancha verde dos pinheiros ao longo dos anos.

Daqui do meu castelo de vidro,
Aprecio e amo 
Todo o reino que me pertence
Mas recuso-me a olhar o invasor.


Benvinda Neves
Abril 2013