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domingo, 9 de dezembro de 2012

Moram comigo a Solidão e a Alegria…



Moram comigo a Solidão e a Alegria…

Coabitam em comunhão, 
Numa união nem sempre pacífica.

A Solidão é calma, tímida
E tão egoísta quanto um amante doentiamente ciumento.
Não me quer, 
Não por ser eu, mas apenas porque não quer ninguém,

No entanto não me liberta.
Enreda-me em fios minuciosamente esculpidos
Em momentos de tristeza.
Envolve-me cuidadosamente, prendendo-me sempre que pode.

Às vezes fico de tal forma presa,
Que me esqueço de libertar a Alegria.

São muitas as vezes em me sinto bem nas redes da Solidão,
Me deixo absorver pelos seus silêncios
E até banhar em suas lágrimas.
A Solidão leva-me ao mais fundo do meu ser
E revela-me quem sou.
É também ela que me despe
E tira as máscaras dizendo que sou pequena e frágil.
Quando me entrego totalmente a ela, não sou feliz
Mas às vezes não sei fugir-lhe.

Felizmente a Alegria também mora comigo
E aprendeu a libertar-se sozinha,
Quando me esqueço de o fazer.

Extrovertida, endiabrada, teimosa, meio tonta,
Não suporta não ser lembrada
E solta-se com mais vida que a que tinha quando a esqueci.

Aparece em todo o lado,
Nos sorrisos, nos olhos, nos gestos, nos cheiros nas cores,
No céu, no vento, na terra, no mar.
Consigo vê-la em todos os lugares.

A Alegria é toda vida.
Contagiante, persistente, 
Não desiste enquanto não me arrasta.
Leva-me consigo a maior parte das vezes, 
Pois detesta andar sozinha.

É também a Alegria que me apresenta ao mundo.
Sorridente, forte e decidida,
Faz-me acreditar que assim sou,
Sem me lembrar que é ela que me envolve
E despreocupada se mostra.

A Alegria é dominante,
Estonteante como a paixão
E arrebatadora como o desejo.

Moram comigo a Solidão e a Alegria…
Mas a Alegria é a dona da minha casa.


Benvinda Neves
Outubro 2012